A FORÇA DO COOPERATIVISMO BRASILEIRO
O Cooperativismo chegou ao Brasil nos primórdios da colonização portuguesa. Ganhou força no final do século XIX, quando colonos alemães e italianos aqui aportaram por aqui trazendo na bagagem o modelo econômico que já naquela época contribuía para plantar na Europa as sementes da economia social.
Desde então, o Cooperativismo, onde é praticado, tem tornado nosso país uma nação mais desenvolvida e socialmente mais justa. É só verificar o IDH das cidades brasileiras em que existem cooperativas: nelas, o Índice de Desenvolvimento Humano está acima da média nacional.
Isso ocorre porque o Cooperativismo é uma atividade econômica na qual o capital humano é mais importante do que o capital financeiro. E responsabilidade social é um princípio, não ação de marketing. Porque une ao seu desempenho a justiça social. Uma cooperativa não cresce sozinha, seus ganhos vão sendo compartilhados com os associados enquanto ela cresce. E assim compatibiliza o crescimento da economia com a distribuição de renda.
Por isso, essa atividade se apresenta como melhor alternativa ao capitalismo, que, como sabemos, é concentrador de riquezas e gerador de injustiças sociais. Já o Cooperativismo, além de gerar riquezas, as distribui nas comunidades onde se instala e às famílias que dele participam.
No Brasil, o Cooperativismo tem na OCB e no Sescoop um papel fundamental para sua consolidação e desenvolvimento. O Sistema OCB/Sescoop está presente nos 26 estados e no Distrito Federal com 7.363 cooperativas filiadas, distribuídas em 13 ramos de atividades e com a força de 6,5 milhões de associados e dos 195 mil empregos diretos que gera.
Somem-se a esses números um faturamento da ordem de R$ 100 bilhões, exportações de US$ 2 bilhões de dólares e 40% da produção agrícola, além de cuidar da saúde de 20 milhões de brasileiros, e se terá uma idéia da força e da importância do Cooperativismo para o desenvolvimento econômico e a inclusão social da população brasileira.
BREVE HISTÓRICO DO COOPERATIVISMO
O processo de uma cultura da cooperação no Brasil é observado desde os primórdios da colonização portuguesa. Permaneceu incipiente e quase interrompido durante o escravismo, registra a professora Diva Benevides Pinho em "O Cooperativismo no Brasil". Esse processo emergiria no Movimento Cooperativista Brasileiro surgido no final do século XIX, estimulado por funcionários públicos, militares, profissionais liberais e operários, para atender às suas necessidades.
O Movimento iniciou-se na área urbana, com a criação da primeira cooperativa de consumo de que se tem registro no Brasil, em Ouro Preto (MG), no ano de 1889, denominada Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto. Depois, se expandiu para Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, além de se espalhar nas Minas Gerais.
Em 1902, surgiram as cooperativas de crédito no Rio Grande do Sul, por iniciativa do padre suíço Theodor Amstadt. Até que, a partir de 1906, nascem e se desenvolvem as cooperativas no meio rural, idealizadas por produtores agropecuários, cuja propagação deu-se em vários estados, principalmente junto às comunidades de imigrantes alemães e italianos, dando forma ao cooperativismo hoje existente no país.
Os imigrantes trouxeram de seus países de origem a bagagem cultural, o trabalho associativo e a experiência de atividades familiares comunitárias, que os motivaram a organizar-se em cooperativas.
A história relata que os problemas de comunicação, adaptação à nova cultura, carência de estradas e de escolas e discriminação racial criaram entre eles laços de coesão, resultando no nascimento de sociedades culturais e agrícolas. Assim, fundaram suas próprias escolas e igrejas e iniciaram atividades de caráter cooperativo, como mutirão para o preparo de solo, construção de galpões, casas, colheitas.
Com a propagação da doutrina cooperativista, as cooperativas tiveram sua expansão num modelo autônomo, voltado para suprir as necessidades dos próprios membros e assim se livrarem da dependência dos especuladores.
Embora houvesse o movimento de difusão do cooperativismo, poucas eram as pessoas informadas sobre esse assunto, devido à falta de material didático apropriado, imensidão territorial e trabalho escravo, que foram entraves para um maior desenvolvimento do sistema cooperativo.
A Lei 5.5764/71 disciplinou a criação de cooperativas, porém restringiu a autonomia dos associados, interferindo na criação, funcionamento e fiscalização do empreendimento cooperativo.
A limitação foi superada pela Constituição de 1988, que proibiu a interferência do Estado nas associações, dando início à autogestão do Cooperativismo que favoreceu intenso crescimento das cooperativas de crédito e de trabalho.
Em 1995, o Cooperativismo brasileiro ganha o reconhecimento internacional. Roberto Rodrigues é eleito o primeiro não europeu para a presidência da ACI - Aliança Cooperativista Internacional, fato que contribuiu também para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras.
Fonte: www.ocb.org.com
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